Desde 1925, mais de 40 membros da família Gracie têm-se dedicado ao aperfeiçoamento do programa de defesa pessoal mais eficiente de todos os tempos. Hoje, a Gracie Jiu-Jitsu Academy é uma organização mundial que se destaca por ensinar qualquer um, independente de idade, sexo ou habilidade física, a utilizar técnicas comprovadamete eficientes, através de um método de ensino aperfeiçoado durante quase um século. Explore a fascinante história do Gracie Jiu-Jitsu seguindo a cronologia abaixo.
Carlos Gracie abre a primeira Academia Gracie de Jiu-Jítsu no Rio de Janeiro, Brasil. Junto com seus irmãos, Carlos ensinava as técnicas do jiu-jitsu japonês, por ele aprendidas com Esai Maeda, imigrante japonês. Helio Gracie, o mais moço dos irmãos de Carlos, não tinha permissão de praticar por causa de seu corpo pequeno e frágil. Por causa disso, Helio passava a maior parte do tempo assistindo às aulas ministradas por seus irmãos mais velhos.
Carlos Gracie se atrasa para uma aula particular e, na ausência do irmão, Helio se oferece para ensinar. Embora nunca tivesse praticado as técnicas, ele as havia decorado, após anos de paciente observação. Helio logo percebeu que não era suficientemente forte para aplicar as técnicas japonesas, com êxito, contra um adversário mais corpulento e atlético. Não sendo um homem de desistir, Helio buscou meios para fazer as técnicas funcionarem para ele, usando princípios de alavanca, escolha do tempo certo de aplicação e movimentos naturais do corpo, em lugar da força, da velocidade e da coordenação.
Helio derrota Antônio Portugal, pugilista muito mais pesado que ele. Helio submete o pugilista em poucos minutos, provando que seus aperfeiçoamentos permitiriam a uma pessoa menor derrotar um oponente maior e mais forte. Sua vitória o inspirou a continuar modificando as técnicas japonesas, até que produziu uma arte que capacitaria a qualquer um, não obstante seus atributos físicos, defender-se contra um atacante mais corpulento.
Em 6 de junho, Helio Gracie desafia publicamente o ex-campeão peso pesado de boxe, Joe Louis, para um vale-tudo, a fim de refutar um artigo publicado no Reader's Digest que defendia a superioridade do boxe sobre o jiu-jítsu. O empresário de Joe Louis recusa o convite. Embora a luta nunca tenha ocorrido, o desafio de Helio confirmou que ele estava disposto a lutar contra qualquer um, em qualquer tempo e lugar, para provar a eficácia do seu sistema.
Em 23 de outubro, Helio Gracie luta com Masahiko Kimura, o melhor lutador de jiu-jítsu japonês da época. Após modificar e adaptar as técnicas por mais de 20 anos, Helio estava muito curioso para saber qual seria o resultado de suas adaptações contra o campeão mundial de jiu-jítsu. Kimura, 35 kg mais pesado que Helio, estava tão confiante na vitória que declarou que, se Helio conseguisse resistir por mais de três minutos, deveria ser considerado o vencedor. Helio frustrou a expectativa de Kimura durante treze minutos, até que Carlos terminou o combate para proteger o irmão de uma séria lesão causada pela chave de braço que, até hoje, é conhecida como "chave Kimura". Muitos consideram essa "derrota" uma das maiores conquistas de Helio, pois Kimura ficou tão impressionado com a habilidade técnica de Helio, que o convidou a compartilhar suas melhorias com seus colegas japoneses.
Em 24 de maio, aos 43 anos, Helio Gracie luta com Waldemar Santana, no vale-tudo mais longo da história, sem intervalos. Apesar de estar afastado das competições, ser 20 anos mais velho e ter 18 kg a menos que seu ex-aluno da Academia Gracie, Helio aceitou o desafio de Santana. Após lutar sem parar durante três horas e quarenta minutos, Helio ficou desorientado e Carlos interrompeu mais uma vez o combate para protegê-lo. Embora Santana fosse o vencedor, a habilidade de Helio em se defender do ataque de um lutador mais jovem, mais forte, mais atlético e sumamente habilidoso, durante quase quatro horas, conquistou-lhe grande respeito e reconhecimento. Com efeito, tal demonstração dramática da eficácia de sua arte resultou no maior influxo de alunos, na história da Academia Gracie de Jiu-Jítsu.
No verão de 1978, Rorion, filho primogênito de Helio, deixa o Brasil e viaja para os Estados Unidos, decidido a compartilhar o sistema revolucionário de autodefesa de seu pai com o resto do mundo. Rorion sabia que a popularização do Gracie Jiu-Jitsu nos Estados Unidos abriria as portas para o mundo inteiro. Chegou ao sul da Califórnia trazendo unicamente sua paixão pelo Gracie Jiu-Jitsu e a fé de que seria bem sucedido. Com pouco dinheiro e recusado por todas as escolas de artes marciais, lançou mão do recurso de dar aulas na sua garagem. Oferecia uma aula grátis a cada pessoa que vinha a conhecer e, em poucos meses, já contava com seguidores dedicados.
Rorion convida qualquer um, de qualquer tamanho ou disciplina, a lutar contra ele, a fim de provar a superioridade do Gracie Jiu-Jitsu sobre todas as outras artes marciais. Rorion criou o “Desafio Gracie” por sentir-se decepcionado com a crença inapropriada dos americanos na eficácia das artes marciais espalhafatosas, que tentavam provar seu valor com chutes no ar e quebras de tijolos. Seguindo o exemplo da primeira geração, Rorion lançou o “Desafio Gracie”, a suprema afirmação de sua confiança no sistema de luta de sua família. Praticantes de artes marciais de todas as disciplinas aceitaram o desafio e surpreenderam-se quando as técnicas suaves e eficientes do Gracie Jiu-Jitsu derrotaram todos os adversários.
Junto com os irmãos Rickson, Royce e Royler, Rorion abre a primeira Gracie Jiu-Jitsu Academy, em Torrance, Califórnia, para atender à demanda avassaladora por instrução nesse sistema brasileiro sem igual de autodefesa. Tão logo os praticantes de artes marciais locais compreenderam a importância das vitórias atordoantes do Gracie Jiu-Jitsu sobre adversários mais fortes, os irmãos Gracie experimentaram um influxo tão dramático de alunos, que a garagem já não tinha espaço suficiente. Com 130 alunos tomando lições particulares a cada semana, e mais 80 na lista de espera, Rorion decidiu abrir a escola oficial que, com o tempo, se tornaria a sede mundial do Gracie Jiu-Jitsu.
Em 12 de novembro, Rorion Gracie revoluciona o mundo das artes marciais para sempre, ao colocar no ar o primeiro Ultimate Fighting Championship®. Nos anos de 1970 e 1980, a popularidade das artes marciais em Hollywood produziu centenas de estilos de luta, cada um afirmando ser superior a todos os outros. Rorion buscou terminar, de uma vez por todas, o debate sobre que arte era a superior, fazendo mestres lutarem uns contra os outros em um verdadeiro vale-tudo. Os resultados do campeonato de eliminação única para oito homens, promovido por Rorion, abalou o mundo, pois Royce Gracie, o menor e mais despretensioso lutador da competição, emergiu vitorioso. A vitória de Royce, como as vitórias de Helio antes dele, provou que o Gracie Jiu-Jitsu não só era o sistema de autodefesa mais confiável, mas também o único que dá à pessoa comum uma chance realista contra um adversário maior e mais atlético.
O Exército dos EUA, a força armada mais poderosa do mundo, escolhe o Gracie Jiu-Jitsu como a base para seu programa de combatentes militares. Membros das unidades de Operações Especiais do Exército americano, encarregados de encontrar o sistema de combate corpo a corpo mais eficiente, escolheram o Gracie Jiu-Jitsu, baseados em sua comprovada eficácia. Eles pediram a Rorion que desenvolvesse um curso de treinamento intensivo visando preparar os soldados para o combate corpo a corpo, no tempo mais curto. Após analisar minuciosamente centenas de lutas, Rorion identificou 36 técnicas como as utilizadas mais frequentemente e com mais êxito do que todas as outras. Ele elaborou um curso de curta duração, baseado nessas técnicas, e o apresentou ao Exército. Essas técnicas servem agora como base para o Modern Army Combatives Program, do Exército dos EUA, e têm sido adotadas por centenas de organizações militares e policiais em todo o mundo. Hoje, por meio do programa Gracie Combatives, essas técnicas estão disponíveis a cidadãos que buscam aprender e desenvolver habilidades máximas de autodefesa, no mais curto espaço de tempo.
Ryron e Rener, filhos de Rorion, lançam o “Programa de Treinamento Global” (Global Training Program), para preservar a eficácia da arte como sistema de autodefesa. A demanda por instrução no Gracie Jiu-Jitsu, ou Jiu-Jítsu Brasileiro, continua crescendo a um ritmo sem precedentes. No entanto, o crescimento desenfreado e a ênfase em campeonatos resultaram na modificação de inúmeras técnicas, sem levar em consideração os princípios fundamentais de aplicabilidade na rua, energia, eficiência e movimentos naturais do corpo. Os alunos aprendem movimentos que dependem mais da força física do que dos princípios de alavanca, e desenvolvem, inconscientemente, reflexos que podem ser fatais numa briga real. Em oposição a essa tendência preocupante, os irmãos desenvolveram o “Programa de Treinamento Global”, com o objetivo de preservar e perpetuar o currículo completo do Gracie Jiu-Jitsu, em sua mais pura forma.